sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Valor a dever


Bom sujeito, o que foi feito das pessoas de boa fé, boa fala e bons costumes? Onde se esconderam? Aonde foram, afinal?

Do jeito que vamos, arrisco dizer que falta palavra de homem por aí e faltam porquês para explicar isso... seria objetivo se não fosse tão superficial.

Tantos são os pequenos que não pedem licença, que ofendem à toa, filhos feios de mulheres postiças que vivem para chamar a atenção dos homens cujas vitórias são compradas. Não é balela da oposição, é vaidade da geração que se engana e se rende (isso quando não se vende) para preencher necessidades inventadas, partes de falsas mais-valia.

E onde mora a razão hoje?

Bom sujeito, concordo com dor no peito: eles ostentam o desejo por uma melhor posição, e a imposição é que se aceite sem reclamar, senão incomoda. Eu ignoro a regra e grito o Direito, cada vez mais alto, já que eles ouvem e fingem desentender.

Meu bom sujeito, você é simples por escolha, composto por opinião determinada; sei que você ainda será comum entre muitos no dia em que a fantasia que agride este país perca o crédito e que a palavra “dever” tenha cada vez menos a ver com “dívida”.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Contragosto

Apesar de acontecer a contragosto, ser público de piadas infames é tão comum que cai no consenso de maiorias como se nada de mais acontecesse. Há quem duvide de tantas dívidas, há quem divida muitas dúvidas. Para esclarecer, esta é uma homenagem para os doutos que nada sabem e ocupam altos cargos, sem o menor propósito ou compromisso, sentados logo ao lado dos entendidos que manipulam massas e escondem o que há de mau (e pior) atrás dos mesmos sorrisos que conseguiram a confiança do seu voto num domingo de outubro. Se este é um país sério, é curioso pensar em como leis são criadas sem sentido e sentidos de ruas se modificam, sem mais, quando é por bem menos que cidades são pavimentadas com mentiras encobertas pelas promessas esquecidas no fundo de gavetas. Nos dias de hoje, calar-se em meio a tantos males é engolir gritos presos já faz muito tempo. Seja legal, faça com gosto, sinta-se bem; manifestar o pensamento é um ato livre.

(Marco de Moraes)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Várias e única (às Marias)

Calor de fogo no feijão, fundo no barro da panela; colher de pau distraída na mão, os olhos firmes na janela. Além de pulsos e suspiros inocentes antes do jantar, no peito de Maria cabia a falta de Severo, seu homem, que desde ontem saiu para trabalhar confortando um copo de café na barriga e um pão enrolado em panos. Apesar de breves, suas despedidas tinham o encanto do sabor de bem-querer, sempre após o galo cantar, um tanto antes de o dia nascer, e faziam de Maria Moça solitária desde as primeiras às últimas horas de cada dia.
       Jovem quase pronta, ela tinha desejos de mulher, dona de feições meninas cujos sorrisos ante a fogueira na sala sossegavam os receios da promessa que fizera ao consorte: proteger o filho bebê sem jamais negar ninar, além de oferecer peito a cada choro pedinte e colo ao menor gemido no berço magrelo ao lado da cama.
       Suor dele lá, esforço dela cá. Os afazeres eram muitos, as horas sem relógio pareciam uma. Maria Morena deixava cair os fios negros sobre o ombro que segurava o leve vestido florido enquanto espiava a porta da frente, além da janela e quintal, isso antes de varrer todo o chão de tal sorte a enxotar o pó e as incertezas, antes mesmo de despir os pés para se ajoelhar e pedir em preces a Padre Cícero que nunca faltasse um grão sequer em casa.
       Flor difícil do sertão, Maria Sonhosa via muito no redor modesto, de poucos porquês, morada em que habitava a certeza de que nacos de giz e uma louça rachada serviriam para educar um filho como ninguém mais seria capaz. Não à toa, o amor de Maria Mãe ia muito além de apenas dar à luz.

(Marco de Moraes)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Foi dia 23


A manhã já era tarde, porém não demais para que o tempo tomasse as minhas chances de estar bem. Levantar me custou um proveito que apenas a minha preguiça sobre a cama quente saberia explicar naquele dia de março em que decidi esquecer os ponteiros na escrevaninha revirada, aliás, quis jogar fora qualquer bilhete de compromisso, pois reuniria as pessoas que me querem o melhor para comemorarmos o dia, onde quisesse que fosse. Salve! Propor pisar pelas ruas com as sandálias calçadas foi questão de um estalo, então me atrevi a atravessar junto de dois amigos para um bairro que havia muito não visitava. Se a ida foi boa, a volta foi melhor. Como foi bom receber apertos de mão e o abraço da chuva que limpou a alma como só ela faria... Salve! Os convidados iam-se chegando, todos se ajeitando sem reclames num espaço onde qualquer um duvidaria reunir tanta gente. Lá couberam as piadas infames, coube quem comesse jujuba pela falta do que fazer, coube a música alta e ainda coube uma voz que latia sem razão, tudo misturado com a bebida dos risonhos, um tanto de sal e limão. Salve! Um dia inteiro num segundo, história para contar com brilhos nos olhos para quem quiser ouvir. A noite já era tarde, contudo não demais para agradecer com as mãos para o céu ao povo que esteve todo o tempo comigo e eu sei que eles nunca, nunca me deixarão sozinho.

Em homenagem ao aniversário de um dos meus amigos do peito.

(Marco de Moraes)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Bons frutos


        O que sobrou foram as sementes. Severo seria, além de um bom mentiroso, menino teimoso se espalhasse para os quatro ventos que os frutos de acerola do quintal de casa eram coisas bobas, nada de mais. 
       - Desce dessa árvore agora! - não havia um dia sem berros vindos da sua mãe. Adultos eram chatos, então seguia as vozes das crianças que só ele ouvia nas brincadeiras de menino solitário que perdiam a hora encontrando mil desculpas para uma estória ou outra ter o final feliz mordiscando daquelas pequenas. 
        Não havia ambições.
       Como entender as queixas do pai acerca dos males do mundo, se para sorrir bastavam acerolas? 
      Naqueles poucos metros de chão vivia uma família simples, de roça, que um dia partiu para visitar um parente distante que adoeceu. Sem ter as passagens, venderam a casa ao vizinho da frente por um mero trocado. Além disso, confiariam o menino aos seus cuidados quando prometeram o retorno que nunca aconteceu. 
       Severo era como o pai: pensava, fazia, então resolveu crescer por si só, ser um bom cabra. Como viu a árvore ser derrubada pelo simples desgosto do homem da casa, o menino partiu com saudade deveras chorosa. Antes de ir de vez, arou com os dedos um bocado de terra perto da casa e ali cobriu duas sementes... 
      Calos nas mãos, inchada; braços firmes, labuta; os pelos no rosto eram vivência. Foi-se o tempo longe. 
      A saudade do passado bom o convenceu a voltar. 
      Ao chegar, pôs o chapéu no peito, ficou um tanto sem jeito, silenciou. Apesar de os poucos metros da sua infância estarem vazios, um pé de acerola cresceu na terra que havia arado, pé em que uma mulher descansava recostada. 
     O rapaz se ajeitou sorrateiro no outro lado do tronco.
     - Sabe, moço, essas frutas são boas, olhe aqui estas sementes!   
    Severo enfim entendeu que, mesmo em tempos de mágoa, é possível colher bons frutos quando se planta amor.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Percepções

Finda sombra, deixei os temores de lado para entender o valor de um abraço distante.

Aqueles dias cinzas se foram, e assim me convenci de que pisar descalço o chão também é possível após lições que às vezes não prestamos atenção, mas que aprendemos com chegadas e despedidas; são condições.

Não vá agora. Pode ficar. Há companhias que fazem bem.

Sorrisos gratuitos atraem semelhantes, já caretas conquistam solidão. Não raro vemos o mundo permanecer o mesmo, com o mesmo deboche e os contras impostos antes das nossas insatisfações.

Mas o que fazer diante disso?

Os obstáculos vêm de fora ou as criamos? Há diferença ou dá igual?

Um elogio pode soar ofensa de acordo com a inquietude do espírito de quem ouve, por isso cabe a nós mesmos afastar as nuvens da tempestade enquanto temos tempo.
Pode não parecer importante, mas é.
Acredite: não existe réu quando seu céu está azul.

(Marco de Moraes)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Versibus

Quantos versos cabem num universo?

E no seu?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Visões de mundo

Do exterior, enxergamos
todo um mundo
ou parte.
Do interior disso, pensamos
e do fundo
trazemos arte.

Entenda os movimentos
das linhas que nem medi.
O que existe são expressões
bem como as contruções
cujas poesias são ornamentos
sobre todas as coisas em si.


(Marco de Moraes)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Tino

Quanto se pode apreciar a chegada a um final, seja vitorioso ou derrotado, sem que haja vivência no meio?

Lute,
aprenda,
viva.

(Marco de Moraes)

sábado, 13 de outubro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

Diferentes maneiras

Eles chegaram, venha ver! Se não percebeu quem são, faço logo saber: os passos do homem de fraque e cartola escuros deslizam pela nossa rua irregular como fazem as gotas da chuva que caem desde o início desta tarde entediada. Elas vêm modestas com sopro do vento, enquanto ele se queixa da lama entre as pedras em que a sola pisa, isso quando não xinga sozinho; tão jovem e tão ranzinza... Qualquer cuidado ali é bastante, questão de escolher as pedras certas no decorrer do caminho! Bom, a pressa do homem tem lá sua razão, pois da carruagem à frente do portão cabem mais de cem passos, assim como os mil pensamentos acerca do convívio com aquela a quem fez promessas de bons confortos. Como sei? Já prestei vários serviços ao homem e posso dizer que o hábito dos seus elogios veste (e santifica) a moça muito melhor que qualquer dos seus vestidos finos feitos sob medida. Em todos os lugares é assim: ele sai antes para ver se tudo está bem, volta e oferta apoio às mãos delicadas da moça, que sorri. Difícil entender? Nem tanto. Muitos foram os pretendentes, mas aquele ali foi o preferido. Entenda, ele não tem bolsos recheados, ele não é dos mais belos e ainda é desastrado, todavia a diferença entre ele e os outros está no quanto ele é bom, no reconhecer de valor que é dos seus tratos.

(Marco de Moraes)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Até breve, Inácio

É muito sem jeito que escrevo esse monte de garrancho num pedaço de papel queimado pelo sol que nos aperreia desde sempre. Sei que o senhor não sabe ler, mas a irmã aprendeu direito na escolinha, então ela pode fazer isso com gosto.
Eu vou, mas não se chateie, não, quem decidiu ir fui eu. Aviso que vou tentar ganhar o que comer nas terras de longe, bem longe, porque aqui a miséria aperta a barriga até doer e nesta terra nada mais dá, eu já tentei. Aqui o chão de barro rachado é tão seco que até o Damião, aquele calango que eu criava, morreu, mas escondi o corpo dele na sombra do mandacaru atrás de casa.
Levo na cintura a moringa de couro sem água, o chapéu furado na cabeça, a peixeira cega na bainha, e nas costas carrego o violão com as três cordas que restaram; lá, ré, mi... a última que se arrebentou me ensinaram, mas eu esqueci. A vontade fez que nem a rima de sanfona no peito, veio me tirar a secura de garganta com as lembranças do cheiro de cajá roubado na feira da cidade, sempre lambuzando a boca quando mordia.
Eu vou, mas prometo que volto estudado, de roupa limpa e cabelo penteado, pois quero ser doutor. O senhor me obrigou a ler e escrever, agradeço muito por isso. Mais uma vez digo que não é nada com o senhor, nem com a mãe ou a irmã, coitada, é com a chance de viver diferente. Eu sabia desde menino que eu podia ter o que quisesse, que é só ter vontade; vou aos dezoito, mas volto aos trinta e três, quero ter tentar uma vida de certeza para deixar estes dias de talvez.

(Marco de Moraes)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Retórica

Vá lá entender... Quando bem quer, o homem machuca; no tempo em que é ferido, retruca.


(Marco de Moraes)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Soluções


Dilemas formavam-se dando azo
aos temas caídos uns sobre outros.
As rimas apinhavam-se, não acaso;
mas e os temas, eram sobre o quê?
Fazia falta velar,
cobrir o sofrer com ternura.
Faltou ser brando, mesmo que bambo,
acalmar as faltas dos porquês.
Dias estranhos se estendiam
até os descansos irrequietos.
Cativo efeito no tempo disperso,
ainda que necessário à razão. 
Quiçá intimidando a ordem das coisas
encontraria as respostas, enfim.
E se eu fosse além,
além,
isolaria as agonias,
seria um arteiro,
guardaria todas elas num envelope pequeno
debaixo do meu travesseiro.


(Marco de Moraes)

sábado, 28 de abril de 2012

Rotina

Nomeou incômodas as sensações de fadiga, manifestando com sorriso singelo a alegria do encaixar de chave na fechadura ao chegar em casa tão tarde. Como a palavra perfeita havia fugido, aceitou se considerar "morta".

O capacho chiava, o trinco se retirava, ela coloria a sala dando vida ao lustre pendente no teto enquanto acessava a entrada roçando os calcanhares para retirar os calçados. Aquilo era tão bom para aliviar calos doloridos! Os sapatos caíam deixados de qualquer jeito sobre o tapete onde correspondências persistiam intocadas desde a tarde anterior.

Contas, quantas contas...

Seu corpo retrucava com estalos quando se espreguiçava, e estapear as roupas certamente a livraria das mazelas daquele dia que, de tão cheio, tinha parado apenas para engolir o lanche sem tempo para trocado entre os trabalhos.

Àquela altura, preparar café e sentir seu odor amenizaria os ânimos, assim como esquentar pão com manteiga a reanimaria para um banho quente antes de se deitar. Pertinaz, não se fazia vítima da rotina pesada porque, no fundo, sonhava com o aguardado dia em que as mudanças há tanto planejadas finalmente aconteceriam graças à dedicação nas telas em que pincelava suas doses de alma nas horas vagas.

Ela queria bem, queria mais, mas sabia não ser pedir demais viver daquilo que tanto se gosta.

(Marco de Moraes)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Apenas seja

Se é comum podermos realizar desejos sinceros enquanto sonhamos, então somos capazes de fazer da realidade um sonho bom quando nos tornamos fieis às nossas verdadeiras vontades.


(Marco de Moraes)

sábado, 3 de março de 2012

Destro João

João, morador de vila erma sem limites ou portão, despertava todos os dias antes de o galo magrelo do vizinho anunciar o raiar matinal. Seus olhos eram os primeiros da casa dispostos a enxergar as telhas tortas acima da cama velha assim que acendia o lampião que conduzia às madeiras bambas postas no meio da salinha – único cômodo, também quarto e cozinha – que serviam de apoio no qual desjejuava cafés-da-manhã sem café enquanto iniciava as leituras diárias mastigando pão velho e roendo rapadura, tudo com a ajuda de um copo d’água. As migalhas caíam aos pés ao passo que as letras eram sorvidas com o prazer de tempo restrito, pois que a labuta pesada impedia a dedicação ao gozo da leitura e seu pai cria ser o livro grande perda de um precioso tempo de labor – muitos os trabalhos; miúdos os ganhos – para o que comer no sertão. João lia as linhas centrado em cada palavra e virava páginas de Vidas Secas com a mão canhota, a solitária, já que perdera a direita trabalhando num canavial (uma pena,  vez que era destro). Persistir nas leituras resultou na vontade de escrever, então reproduzia cada página, às escondidas e de pouco em pouco, com um pedaço fino de carvão nos papeis de pão, até a madrugada em que decidiu partir da vida na caatinga para ser escritor, deixando promessa profunda de retorno na caligrafia feia do bilhete de cantos rasgados para o pai ranzinza. Acredite, deseje, pois há de superar adversidades em busca daquilo que se quer.


(Marco de Moraes)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O “supérfulo” não existe

É em meio aos corres-corres pelas ruas do cotidiano que pés afoitos atravessam de um lado a outro em busca de objetivos dos mais distantes daqueles que são os verdadeiros desejos que tanto se anseia alcançar. Quiçá o problema esteja na falta de saber separar o que se quer e o que se precisa, sendo as queixas uma questão de oportunidade dos muitos insatisfeitos do modo de viver. Todos culpamos os dias curtos pelos comuns “quem sabe um dia, hoje não...”, pois carecemos de desfrutes tão simples como: o passar de brisa no rosto, a lembrança de uma piada engraçada, o gosto de café bem feito. Poucos miram os olhos de outrem, poucos agradecem um favor, poucos os que sequer observam às quantas anda o próprio humor, propício a furor descabido. Foi numa tarde de pressa rotineira que ouvi os assobios do violino tocado pelas mãos humildes de um pedinte numa calçada onde inúmeros passos impacientes não dedicavam uma ínfima fatia do seu dia para apreciar Música Clássica entre tantas vozes desafinadas e berros de buzinas. Incrível é observar como somos vítimas de um ciclo do qual se torna difícil sair, vivemos em dias de uma sociedade que se distancia do que é apreciável e se aproxima do que é supérfluo, porque este sim, além de existir, faz-se presente em todos dias que cada vez menos sentimos passar.


(Marco de Moraes)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Zodíaco


Seu dedo esticado apontava vislumbrado para as estrelas coladas naquele véu escuro que cobria o céu além do muro no qual se sentava todas as noites. Ela delineava tranquila um sem número de constelações utilizando apenas os olhos, e formava vários desenhos unindo os pontos cintilantes com traços entre eles - pontos por demais pequeninos, traços assaz finos -, preenchendo o firmamento com pinturas luminosas. Um quadro pulcro. 
Suas paixões partiam no pé diurno e retornavam no pé noturno pela alegria da ida do dia em fins de tarde com ares de missão cumprida. 
Seu vislumbre se avolumava vez por vez, ao ponto de desejar ter para si as luzes mais atraentes e guardá-las nos bolsos. 
Foi num sonho (o mais belo) em que conseguia voar e tocar com as mãos os elevados pontos brilhantes que ela escolhia e retirava para si os pontos mais cândidos, para depois tornar ao repouso em cima do seu muro convicta de que havia muito daquelas estrelas no seu interior. Não poucas vezes havia encontrado respostas lendo o céu estrelado. Percebeu quando desperta, já noite seguinte, que o céu escureceu demais, então abriu os bolsos iguais para libertar as luzes de volta para o firmamento, possibilitando assim a mescla entre o lúdico e o real. 
Com isso, entendera acerca da liberdade e do papel preenchido por cada um em tudo o que existe. Seus olhos brilhavam como as pedras celestes, que correspondiam com fachos de gratidão mais intensos quando assistidas pelos olhos da sua espectadora.


(Marco de Moraes)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Desculpe se ofendi

Seria bem-vinda uma dose dupla de tranquilidade capaz de me convencer de que o que vejo lá fora é bom, é justo, porque na maioria dos meus longos dias (os recentes) o que vejo são tentativas alheias de encher o próprio copo, pouco se importando com o espaço do seu semelhante - ou com o que ele pensa. Egoístas ou não, pediria favor para entenderem o quão ruim é compartilhar da ignorância de outros pelo preço barato de um nada; ademais, é uma pechinca que dispenso, dou de ombros mesmo. Que a dose me seja generosa, talvez servida com gelo, porque árduo é perceber quando querem que engulamos discursos esfarrapados de que está tudo bem, quando ouvimos as suas promessas por melhores condições. O que me falta entender - e confesso, isso irrita - é ver que quem está embaixo ofende o seu semelhante, quando as ofensas que mais doem vêm de cima.


(Marco de Moraes)