sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cinza-carmesim

Que pecado foi cometido
por minh'alma que entregue se atrevia
a desejar pelo fino metal medido
que atravessasse, intrépido, aquela apatia?

Ante o portão que me negava o aceite
avistava o formoso e extenso jardim
cujas partes rosáceas eram de leite
e no mais alto cume florescia a Carmesim.

Travesso, adentrei em terreno encantado,
passo a passo entre espinho cortante.
No cimo, adormeci rubra flor em conforto espalmado
e desci a volver, solitário infante.

Caí entre o verde e branco rigoroso
e me ergui com feridas chorosas.
O retorno em descaminho me foi penoso
pois pétalas formaram brumosas.

O mistério iniciou-se aturdido
ora desentendido do teu abandono.
Em vão, fui e voltei do jardim proibido
para ver-te feliz, do teu sorriso ser dono.

O desencontro teu enfim
iniciou o meu sentir em tormenta.
Tão triste quanto eu ficou Carmesim,
que despertou então rosa cinzenta.